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Roma / Mental Dreams: “eu ainda carrego comigo esse ambiente underground”

  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Série Apuama — Jornada do Artista

Na série Jornada do Artista, a Apuama conversa com artistas da cena eletrônica psicodélica sobre trajetória, pesquisa sonora, construção de pista, lançamentos e os processos que formam uma linguagem artística.

Nesta edição, conversamos com Roma, artista por trás de Mental Broadcast e Android Dreams, em um momento de transição sonora que aponta para Mental Dreams. A conversa passa por suas origens nas squat parties de Londres, a construção do Mental Broadcast, a expansão noturna do Android Dreams, os próximos lançamentos da Apuama Music e o que muda quando um artista reorganiza sua própria linguagem.

Você começou sua trajetória psicodélica em Londres, em festas de acid techno, e depois construiu uma carreira longa no psytrance como Mental Broadcast. O que dessa origem ainda aparece na sua forma de tocar hoje?

Roma:Acho que somos moldados praticamente pelas nossas primeiras experiências, e a minha foi nesse ambiente underground das squat parties de Londres.

Eu ainda carrego isso comigo.

A Jornada do Artista também parte de uma pergunta sobre a pista: o que move a pista? Depois de tantos anos tocando, o que você sente que realmente coloca uma pista em estado de presença?


Roma:Hoje em dia depende muito do evento.

Minha música é mais conceitual, e esse tipo de som não funciona muito bem em uma pista que está esperando muitos drops e ideias homogêneas.

Eu sinto que meu som funciona melhor em pistas mais conceituais, como festivais onde a pista está mais aberta para diversidade sonora.


Mental Broadcast tem uma história ligada ao psytrance, com grooves fortes, linhas de baixo marcadas e construção psicodélica. O que esse projeto representa dentro da sua identidade artística?

Roma:Representa todas as influências que tenho das pistas por onde passo.

Eu me expresso segundo o que sinto e segundo aquilo que acredito que posso compartilhar com o público.

Android Dreams aparece como uma expansão mais noturna, digital e futurista do seu som. Que parte da sua pesquisa nasceu nesse projeto?

Roma:Esse som nasceu justamente desse passado underground.

Esse tipo de música me pega muito quando estou na pista curtindo. Acredito que nasceu da necessidade de continuar me expressando em outras áreas.

Achei que seria mais interessante criar um novo projeto do que mudar a identidade do Mental Broadcast.


Agora você está propondo uma transição entre Mental Broadcast e Android Dreams, chegando em Mental Dreams. O que está mudando nessa passagem?

Roma:Eu precisava fazer uma transição entre o progressive dark e o dark.

Além disso, é também o lançamento da Apuama Music, onde o primeiro single será uma track do Mental Broadcast.

Achei que seria interessante começar com full on e conduzir a pista até o próximo act.

Quando um artista muda de fase, ele abandona uma linguagem ou reorganiza tudo o que veio antes? Como você entende essa virada no seu caso?

Roma:Na verdade, acredito que o artista tem dois caminhos: seguir sempre o seu estilo inicial ou se adaptar conforme os trends e tendências.

Eu preferi fazer outros projetos a descaracterizar o Mental Broadcast.

Isso também abre um leque de opções para os produtores de eventos, e o público sabe que tipo de som esperar em cada apresentação.


Na sua visão, a pista entende quando um artista está em transformação? O público acompanha essa mudança ou o artista precisa abrir esse caminho sozinho?

Roma:Essa situação divide o público e depende de como ela acontece.

Geralmente, artistas underground migram para o caminho comercial. Isso faz com que percam parte de um público mais exigente, mas, por outro lado, traz muito mais fãs novos.

No caminho inverso, a situação se reverte. É muito difícil um artista sair da cena comercial e migrar para o underground.


Você já lançou músicas por diferentes fases e projetos. Quais lançamentos marcaram viradas importantes na sua trajetória?

Roma:Acho que o primeiro lançamento marca muito, porque torna um sonho realidade.

O mesmo acontece com o primeiro álbum.

Estou sentindo algo parecido agora com o lançamento na minha própria label, a Apuama Music, que se aproxima.

No que você está trabalhando agora? Tem novas faixas, colaborações, ideias de live ou uma nova direção sonora nascendo com Mental Dreams?

Roma:Estou trabalhando, neste momento, no lançamento da minha label, Apuama Music.

Tenho diversas tracks e colaborações na fila para lançamento. Estou trabalhando muito nisso agora.


Para fechar, indica 3 músicas do seu momento atual: uma que representa o Mental Broadcast, uma que representa o Android Dreams e uma que aponta para o Mental Dreams.

Roma: Future Memory é a track nova do Mental Broadcast que sai no primeiro single da Apuama Music em breve.

Rehab Superstar é a colaboração do Android Dreams com o Tron, que fizemos no México no ano passado e foi lançada em janeiro pela Replicant Records.

A track que aponta para o Mental Broadcast é a colaboração com Synkronic, que sai em breve na compilação de 25 anos da Neurobiotic Records.


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