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VORG “o que move a pista é o set de psytrance como um todo”

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Atualizado: há 5 dias


Série Apuama — Jornada do Artista

Na série Jornada do Artista o Apuama conversa com artistas que atravessam a música eletrônica psicodélica a partir da pesquisa, da construção de linguagem e da experiência coletiva da pista.

Nesta edição, conversamos com VORG de Robson Morche projeto ligado à Padang Records, que trabalha entre dark progressive, psytechno, zenonesque e minimal psy. A entrevista passa por arquitetura sonora, hipnose, lançamentos recentes, construção de set e o momento atual do projeto.



O VORG trabalha com uma ideia de “dark sound architecture”. Para você, o que significa construir arquitetura sonora dentro da pista?


VORG:A ideia de arquitetura dentro do dark sound é uma característica que surgiu no início do projeto e, com o passar dos anos, foi ficando mais sutil.

Hoje, ela se caracteriza por apresentar os sons de forma construtiva, respeitando o início e o fim de cada compasso e implementando elementos dentro desse espaço.

No final, tudo se interliga e faz sentido dentro da construção mental que o projeto apresenta. É como se fossem peças se encaixando de trás para frente.


A temporada do Apuama parte da pergunta: o que move a pista? No seu caso, o que move uma pista quando a música não entrega tudo de uma vez?


VORG:

O que move a pista, para mim, sempre foi o set como um todo. Eu nunca penso na pista fora do contexto da construção do set. Na verdade, é a própria pista que ajuda a montar o set e direciona essa construção.

Nessa entrega progressiva, o que faz a pista responder são as ondas mais profundas e as mais claras, criando contraste. É como mostrar dois extremos da mente e a correlação entre eles, apresentando o todo apenas no final.

Isso distorce a percepção do tempo e faz com que cada pessoa sinta a experiência de forma individual, através dessa dualidade presente nos sets.


Apuama: Seu som passa pelo dark progressive, psytechno, zenonesque e minimal psy. O que te interessa nesses territórios de fronteira entre o trance, o techno e o psicodelismo?



VORG:

O que me trouxe para essa esfera musical foi, inicialmente, o dark minimal. O restante foi uma construção baseada no que eu mais me identificava em cada vertente.

Hoje, consigo navegar entre elas dentro de um mesmo set e até dentro de uma única música, com mais sutileza, através de basslines, percussões, melodias misteriosas e atmosferas densas.


Em uma pista mais hipnótica, a intensidade nem sempre vem da explosão.


Como você trabalha tensão, repetição e profundidade sem perder o corpo da pista?


VORG:

Em uma pista mais profunda, como costumo dizer, gosto de fazer transições mais longas e sutis entre as faixas. Isso mantém a coerência e preserva a hipnose da pista.

Minha carta na manga costuma ser aquela track mais densa, com elementos repetitivos, que cria uma ponte natural para a próxima faixa sem quebrar a imersão.


Quando você toca, você sente que está conduzindo uma viagem, criando um labirinto ou abrindo um espaço de escuta coletiva?


VORG:

Para mim, é sempre uma viagem interna, um voo. Cada pessoa faz uma viagem diferente mas ao mesmo tempo, existe uma vibração coletiva que se conecta através da música.

Acredito que seja sempre uma busca interior, um mergulho profundo em si mesmo e no lugar onde se está. É como um ritual, onde todos fazem parte desse mesmo rito.


O EP Ponto de Aglutinação saiu pela Padang Records com as faixas Unpressure, Fight for Nothing e Punkbuster. Que momento do VORG esse lançamento representa?


VORG:

Essas faixas foram produzidas em um momento mais denso da minha vida, embora elas se apresentem de uma forma mais clara.

Esse EP representa justamente essa transformação: traduzir um período intenso em uma linguagem musical que não necessariamente entrega tudo de forma explícita.


O nome Ponto de Aglutinação sugere encontro, concentração e matéria em transformação. O que estava se juntando no seu processo criativo quando esse EP nasceu?


VORG:

Essa pergunta está muito ligada ao momento em que o EP foi produzido.

O nome é interessante porque, às vezes, apresentamos justamente o oposto do que estamos sentindo. É como uma busca por si mesmo, uma seta indicando para onde seguir dentro de um labirinto.

São nesses momentos que nasce o “ponto de aglutinação”: quando você vira uma chave e consegue transformar algo dentro da sua alma.


Você também vem desenvolvendo a série Cyber Soul, passando por Night, Day e Chill. Como essa trilogia conversa com diferentes estados da pista e da escuta?


VORG: Essa série é muito especial para mim, porque ela pode te levar a qualquer lugar: claro, escuro, calmo ou confuso.

Cada capítulo representa um estado diferente de percepção. A parte Chill estará saindo nos próximos meses e vai completar essa proposta.


A Padang Records tem uma presença forte dentro da música eletrônica psicodélica independente. Qual é a importância de uma label como a Padang para artistas que trabalham fora dos formatos mais óbvios da cena?


VORG:

Para mim, a Padang é uma gravadora que reúne vertentes diferentes, mas com uma identidade sonora muito específica. Os artistas entenderam isso e sempre buscaram levar faixas com a personalidade da label, independentemente da vertente: techno, psytechno ou dark progressive.

Isso é muito importante para a cena, porque oferece liberdade sonora para produzir sem perder uma identidade coletiva. Para mim, isso é arte.

No que você está trabalhando agora? Tem novas faixas, lives, colaborações ou alguma direção sonora que esteja começando a aparecer no VORG?


VORG:

Tenho algumas participações em compilações da Alpaka Music, além de novos lançamentos pela Padang Records, com uma sonoridade mais progressiva e dark.

Também tenho uma música muito especial com meu grande amigo Thiago GroundBass. Essa track significa bastante para mim, porque ele sempre apoiou muito o VORG e também diversos outros artistas. Ela será lançada em uma compilação dele pela Iboga.

Outras tracks especiais são as colaborações com Greenwaves e Aarong King, que já venho tocando nos meus sets.


Para fechar, indica 3 músicas do seu momento atual: uma para abrir o caminho, uma para afundar a pista e uma para virar a chave da noite.


VORG:

Para abrir o caminho, escolho Banned. É uma track muito especial, que fiz praticamente toda junto com a Fernanda, minha parceira de vida.

Para afundar a pista, sem dúvida é Staking, minha colaboração com o Juelz, que faz parte do meu álbum pela Zenon Records. Essa realmente “trava o Nintendo”. [risos]


E, para virar a chave da noite e voltarmos de mãos dadas, escolho Exposed, do Cyber Soul: Night. É uma track que tem o poder de buscar algo muito profundo dentro de quem está ouvindo.


3 sons do momento Para abrir o caminho: Banned — VORG

Para aprofundar a pista: Staking — VORG & Juelz

Para virar a chave da noite: Exposed — VORG - Nos vemos em breve.


Apuama Launch Edition
FromR$40.00
4 de julho de 2026 às 22:00Garopaba
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