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Kali Yuga: “o que move a pista é esse desejo por algo mais

  • 28 de jun.
  • 3 min de leitura

Série Apuama — Jornada do Artista

Na série Jornada do Artista, a Apuama conversa com artistas da cena eletrônica psicodélica sobre trajetória, pesquisa sonora, construção de pista, lançamentos e os processos que formam uma linguagem artística.

Nesta edição, conversamos com Kali Yuga, projeto que atravessa Bush Prog, Zenonesque e grooves orgânicos em uma sonoridade dançante, obscura e introspectiva. A entrevista passa por pista, transformação, storytelling, Magic Bites, Universal Tribe Records, presença feminina na cena e os caminhos atuais do projeto.

Kali Yuga - Dani Nandes
Kali Yuga - Dani Nandes

Você trabalha com uma sonoridade que mistura Bush Prog, Zenonesque e grooves mais orgânicos. O que te atrai nesse lugar entre o peso, o ritual e o inesperado?


Kali Yuga:

É um estilo de som que ressoa com a minha alma. Me dá gosto de verdade de ouvir e tocar.

Ao mesmo tempo que é dançante e grooveado, é obscuro e introspectivo. Não é uma linha reta previsível.


A série Jornada do Artista também parte de uma pergunta sobre a pista: o que move a pista? Para você, o que realmente faz uma pista entrar em estado de conexão?

Kali Yuga:O que move a pista é esse desejo que a gente carrega por algo mais, por um lugar para pertencer e poder ser livre sem filtros.

O projeto Kali Yuga parece carregar uma ideia de portal, passagem e transformação. O que esse nome representa dentro da sua pesquisa musical?


Kali Yuga:

Kali Yuga é a era do caos e da transformação, onde a consciência se torna ainda mais valiosa em meio à escuridão.

Esse nome me ajuda a não esquecer do papel da música na minha vida e de como eu posso usá-la como ferramenta para impactar outras vidas também.

Seus sets são descritos como experiências que fogem de fórmulas. Quando você monta uma narrativa de pista, você pensa mais em conduzir, provocar ou abrir espaço para algo acontecer?


Kali Yuga:

Quando penso em um set, quero sempre provocar sensações, surpresas e alívio da dor.

Quando a gente está feliz, a gente cura as feridas da alma. Um set com mergulhos profundos é o melhor dos remédios.


Dentro do psytrance, existe uma diferença entre tocar para “explodir” a pista e tocar para aprofundar a experiência. Como você encontra esse equilíbrio?


Kali Yuga:

Eu gosto de brincar com storytelling. Como em uma história que a gente escreve, um set também tem conflitos, soluções, novos desafios e momentos de euforia com emoção.


Sua estreia com Magic Bites chamou atenção dentro da Ixchel Music, uma label voltada para talentos femininos na música eletrônica global. O que esse lançamento abriu para você como artista?


Kali Yuga:

Magic Bites foi uma música muito especial, que eu produzi sem pensar muito em me encaixar, só em me divertir.

Fui abraçada por uma label muito especial, que tem me incentivado muito. Isso abriu portas para vários eventos, inclusive o festival Tribal Gathering, no Panamá. Só tenho a agradecer.


Você foi a primeira mulher a lançar um EP pela Universal Tribe Records e representa a label como embaixadora no Brasil. Qual é o peso simbólico e artístico dessa conquista?


Kali Yuga:

Minha história na UTR é de muito orgulho.

É fruto de um trabalho real e solitário, sem padrinho, sem fazer parte de panela, mas muito consciente, usando a comunicação e o posicionamento para plantar meu espaço.

Tenho muita gratidão pela confiança e pelo respeito que conquistei lá dentro.

O seu som conversa com paisagens mais sagradas, pantanosas, orgânicas e psicodélicas. Que tipo de imagem, corpo ou estado mental você quer criar quando toca?

Kali Yuga:Tudo depende do contexto do set. O bush pode ser daylight ou pesado e noturno.

Em uma cena ainda muito marcada por presenças masculinas, o que muda quando mulheres ocupam mais espaço como DJs, produtoras e curadoras de pista?


Kali Yuga:

Muda o futuro. Eu sou fruto da influência de pouquíssimas djanes que vi tocar no começo dos anos 2000, mas as poucas que vi me fizeram sonhar. Eu só queria ser DJ e, por muito tempo, achei que nunca fosse chegar a produzir. Eu sei que, no futuro, as mulheres nem vão ter esse bloqueio para vencer. Isso enche meu coração de esperança.



Para fechar, indica 3 músicas do seu momento atual: uma para abrir o portal, uma para aprofundar a pista e uma para transformar a noite.


Kali Yuga:

Para abrir o portal: Kali Yuga - O Chamado.

Para aprofundar a pista: Albakar, HNT e Kali Yuga - O Pai.

Para transformar a noite: Kali Yuga - Magic Bites.



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